Primeiramente, gostaria de desejar um feliz Dia Internacional da Mulher a todas nossas leitoras.
Em segundo, aproveitando a data, me bateu uma curiosidade sobre quem foram as primeiras mangá-kas japonesas e como o shoujo mangá evoluiu, ou pelo menos as primeiras a terem destaque, no Japão, assim, apresento a vocês um breve histórico.
O aumento dos grupos leitores de mangá no Japão se deu entre 1950 e 1969, quando os principais gêneros, Shoujo e Shounen, se solidificaram.
Quem teria plantado a semente do shoujo mangá que se conhece hoje teria sido Osamu Tezuka, com o lançamento de uma obra que certamente todos conhecem ou já ouviram falar: Ribon no Kishin, “A Princesa e o Cavaleiro”.
Nos anos 50 e início da década de 60, a maior parte dos shoujo mangás eram criados por homens, que, em sua maioria, também se dedicavam aos shounen mangás. O número de mulheres trabalhando com shoujo mangás antes de 1960 podia ser contado nos dedos e se focavam basicamente em colegiais, e tendiam ao humor, horror ou dramalhão.
Em 1963, quando as coletâneas shounen passaram de mensais a semanais, o novo modo de publicação também acabou afetando a publicação dos shoujo mangás, assim, as editoras precisavam de mais mão de obra e que as mulheres teriam maiores condições de atender a demanda de material voltado ao público feminino.
Algumas mulheres começaram a trabalhar nas publicações, contudo, nesta época, a que mais chamou atenção foi Machiko Hasegawa, a primeira a ter uma história publicada na coletânea semanal Weekly Friend, em 1964. Nascida em 1920, e falecida em 1992, apesar de ter realmente despontado com histórias maiores, no formato mais conhecido atualmente, em 1964, iniciou suas publicações em 1946, com uma tirinha intitulada “Sazae-San“, com circulação nacional pela publicação no jornal Asahi Shimbun. As tirinhas foram publicadas até fevereiro de 1974.
“Sazae-san” teve diversas compilações publicadas, e na metade da década de 90, seus trabalhos já tinham vendido mais de 60 milhões de cópias no Japão. Em 1955, ainda, foi adaptada em série dramática para o rádio e um anime semanal em 1969, que até hoje se mantem em exibição.
No final da década de 60 e início da década de 70, houve um verdadeiro “boom” dos mangás e assim as artistas começaram a se popularizar, começando a explorar outros tipos de temas além do dia-a-dia das colegiais.
Entre 67 e 69, um grupo de jovens artistas, todas nascidas em 1949, começou a chamar a atenção, formando um grupo que ficou conhecido como as “Fabulosas de 49″. O grupo incluía, embora nem todas de forma oficial, artistas como Hagio Moto, Riyoko Ikeda, Yumiko Oshima, Keiko Takemiya e Ryoko Yamagishi, e marcaram o início da participação em massa das mulheres na indústria do shoujo mangá. Graças a elas, novos temas começaram a ser explorados, tais como: questões de gênero, sexualidade, triângulos amorosos, aborto, gravidez adolescente, amor entre rapazes, ficção científica, e diversificando os tipos de histórias e idades das personagens principais.
Com essa diversificação de temas, os shoujo mangás começaram a atrair a atenção de leitoras de outras faixas etárias, principalmente mulheres mais velhas, não apenas crianças e adolescentes, e novos gêneros e sub-gêneros de mangás para mulheres começaram a surgir.
No final da década de 70, já não havia mais um gênero shoujo homogêneo, e, na década de 80, por fim, as mulheres já dominavam a área e as publicações começaram a se especializar mais por faixa etária.
Se você entende inglês numa boa, não deixe de ler os seguintes artigos, usados como fontes desse breve histórico, pois são textos interessantíssimos sobre as origens dos mangás, em geral:
- What Are Shoujo Manga?, por Matt Thorn;
- A History of Manga, por Matt Thorn.
